sábado, 22 de janeiro de 2011

Como ser da cidade

Dia desses assisti à entrevista* de um cara muito bacana.
Tudo começava sobre o maior desastre ambiental como nunca antes se viu na história deste país. E as questões eram postas ao arquiteto e urbanista Jaime Lerner, que também já foi prefeito e governador na vida. E a primeira questão foi: como planejar o crescimento racional das cidades? Seguindo-se de perguntas do tipo: em se tratando de desastres ambientais, há planejamento?
O fato é que o buraco é muito mais embaixo. E o arquiteto, bem mais urbanista nesta hora, mostra que experiência conta muito. Não so experiência própria, mas é valido (e importantíssimo) aprender com as experiências (urbanas) dos outros.
No caso do Brasil, os outros nem sempre estão fora do país.
A diferença entre cidades, e entre Estados é clara.
Curitiba é referência mundial em termos de transporte público, e por quê não é modelo para as demais grandes cidades brasileiras? O Rio de Janeiro é exemplo em políticas culturais, mas exemplo pra quem? Quem segue?
O urbanista diz (e eu concordo) que as três palavras chaves para o bom funcionamento de uma cidade são: mobilidade, sustentabilidade e sociodiversidade. Mas enquanto não traduzirmos estas palavras para todo ser urbano brasileiro, elas continuarão icógnitas. E a cidade no Brasil vai sempre parecer um caso perdido. Cidade dos engarrafamentos, da poluição e dos condomínios fechados. E quanto mais se disser que não tem mais jeito, o jeito que tem pode se perder...
Mas eu ainda acredito que jeito sempre haverá de ter, é só não lavar as mãos, e ver que a cidade é de quem é da cidade, e não de uma pessoa só.


*Roda viva de 17 de Janeiro de 2011 com Jaime Lerner:
http://www.tvcultura.com.br/rodaviva/

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